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Sexualidade Infantil: a tão falada precocidade sexual das crianças nos traz algumas reflexões

Dias atrás ouvi a fala desesperada de uma mãe:

“Tenho dois filhos, uma de 5 anos e um de 6 anos, e percebo que eles ficam falando de namoro, beijos na boca e que ela sente umas coisinhas lá em baixo. Estou preocupada com essa precocidade”.

MeF

Essa é uma preocupação recorrente em pais do século XXI. Já li em alguns artigos que a qualidade da alimentação e a presença de hormônios de crescimento em animais que consumimos pode estar acelerando essa maturação sexual. Mas nada conclusivo cientificamente. O fato é que, devido a bons nutrientes, temos uma população que está mais alta do que a anterior e que o sistema educacional estimula cada vez mais o pensar e a autonomia nas ações infantis. Suponho que isso possa dar alguma diferença na maturação cerebral… Pura suposição de minha parte.

Outro aspecto interessante a se pensar é que os pais que se assustam com a maturação sexual de seus filhos são os mesmos que aplaudem e incentivam danças, ações, vestimentas adultas em suas crianças. Recentemente fui a um aniversario infantil e percebi o quanto era difícil às crianças correrem e brincarem com saltinhos e adereços que atrapalhavam o movimento. Vi pais aplaudindo danças sensuais de seus filhos e filhas, incentivando o menino de três anos a beijar e abraçar a outra criança de mesma idade com frases próprias para adolescentes e adultos. Fazemos isso brincando, mas para a criança que está ouvindo, percebendo, tudo é uma opção para imitação e reprodução de atitudes. Tendemos a tratar nossos filhos de forma adulta pois assim eles nos dão menos trabalho e aborrecimentos, mas tudo tem um preço.

Em décadas passadas, a repressão impedia a expressão verbal e comportamental dos indivíduos, e com as crianças não era diferente. Conversas de adultos eram vedadas a elas que viviam em ambientes “protegidos” dos assuntos e “fazeres” adultos. Dessa forma, manifestações sexuais não eram percebidas pelos pais. Hoje, é dada voz a elas, há famílias em que a criança manda mais que os adultos, seus desejos são prontamente aceitos, seus assuntos ouvidos e a participação nos temas adultos bem permitidos uma vez que estão atualizadas pela internet, TV e outros veículos de comunicação. Filmes e novelas mostram comportamentos, outrora inadequados, em horários bem acessíveis. Poucos são os pais que impedem filhos de assistirem novelas e filmes cuja classificação apresentada seja inadequada.Portanto, todas essas exposições e permissões dão à criança a liberdade de falar e fazer o que deseja sem a censura dos adultos de outrora. Pode incomodar ao adulto que vive ainda sobre a repressão de sua época ou que tem dificuldades com sua sexualidade, uma vez que “narciso acha feio o que não é espelho”. Precisamos ter um pouco de calma e perguntar aos filhos o que eles estão querendo dizer, o que realmente estão sentindo em seus corpos. É provável que nos surpreendamos com as respostas. O errado, o estranho está em nossas cabeças e não na boca deles.

Importante lembrar que crianças não fazem e não brincam de sexo. Crianças que brincam de beijar de língua, sexo oral ou algum tipo de penetração estão dizendo que estão sendo estimuladas eroticamente por filmes ou alguma pessoa mais velha que ela, e, nesse caso, temos que ficar atentos aos excessos que eles apresentam. O abuso sexual infantil tem sido cada vez mais comum e traz sérios transtornos emocionais para o futuro adulto em formação.

Ouvir suas historias, saber onde e com quem estão aprendendo determinadas coisas é função dos pais, de quem ama e cuida e não podemos fechar nossos olhos para assistirmos nossos filmes, novelas e jogos de futebol. Assistir e participar do crescimento físico e emocional de nossos filhos é o melhor entretenimento que podemos ter e sentir. Vale a pena!

Euripedes Castellan Pereira

Psicólogo – CRP 03/00694